quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Da Una Vuelta Más



“Eu sei que falta um tempo pra que a gente
Passe a eternidade aos Teus pés
Enquanto a gente vive e gira
Em torno do sol
Eu só, te peço

Da una vuelta más
Solamente una vuelta”

Resgate

sábado, 9 de outubro de 2010

Escamas

Algumas pessoas vão ler esse texto como se ele fosse uma poesia. Outras pessoas vão entender que ele é baseado em fatos reais, e que por isso, é muito mais prazeroso e libertador.

A cara que ele faz quando sola na guitarra, o suspiro que ela deu quando viu a chuva pela janela, a eterna pressa de querer voltar pra casa depois de um dia cansativo, a sensação de andar pela rua numa sexta feira agitada, o gosto da pêra entre o dente e o céu da boca, a idéia errada que se transforma em idéia certa depois que finalmente assistimos à um filme.

Tudo isso e muito mais do que isso, sem excessão alguma, é Deus.

Um amigo meu costuma dizer: “pergunte pra Deus porque você está onde está, porque você faz o que faz, porque você tem o desejo de ir, de voltar, de estar, de ocupar”. E na verdade, esse é um segredo que pouca gente conhece. Não porque precisamos ser robôs que questionam e querem entender a fundo tudo o que vivemos ou estamos prestes a viver, mas exatamente pelo contrário: porque é muito bom ver Deus onde ninguém vê, e saber que Ele não tem um lugar só, uma forma só, um discurso batido e clichê. Aliás, Deus não tem um discurso, e a prova disso é que às vezes Ele fala e você nem se dá conta de que é Ele falando. Deus não tem palanque, mas adora falar. O que faz de você uma pessoa especial é ter ouvidos e olhos para isso.

Você tem coragem de ouvir Deus num tipo de música que você geralmente teria preconceito? Você tem coragem de ouvir Deus quando você espera que alguém fale, mas ninguém fala nada? Você tem coragem de ouvir Deus no meio da confusão? Você tem coragem de ouvir Deus quando o som são más notícias?

Pense nisso: Enquanto todos colocam um rótulo para Deus, Ele na verdade continua se movendo em lugares e situações que ninguém imagina. Enquanto aqui no chão a gente corre feito louco e se preocupa com dinheiro, sexo e roupas, Ele lá em cima, ou na profundeza da terra e do mar, cuida para que tudo saia de acordo com o que ele criou. Animais, átomos, árvores. E isso é muito além do que você pode ver, ou pensar, não é? E ainda é só um exemplo.

Pense nisso outra vez:

A cara do guitarrista é Deus, porque Deus é um doce som, o prazer e a capacidade que temos de fazer coisas boas e bonitas, como uma música. O suspiro simples que ela deu quando viu a chuva da janela, é Deus. Porque Ele consegue ser as milhões de palavras que só um supiro traduz. Desejo, cansaço, felicidade, paz, espera, redenção, o gosto pela chuva, inspiração, Ele é tudo isso e pode ser sim, tudo isso na forma de um suspiro.
A eterna pressa de querer voltar pra casa depois de um dia cheio de trabalho também é Deus, porque Deus é desejo. Ainda que seja o seu desejo por 8 horas de sono, ainda que seja a vontade de tirar o sapato. Deus é muito misterioso, mas Ele também consegue ser amavelmente normal e óbvio. Ele é simples, não esqueça disso.
A sensação de andar pela Augusta numa sexta-feira agitada é Deus, porque é impossível você ver pessoas tão diferentes, com tantas buscas variadas, com tantos estilos próprios e não perceber que deve haver nessa vida alguma coisa que as faça ser iguais. Deus é isso, não no estilo, mas na união. Foi pelas diferenças que ele se apaixonou e achou justo morrer por você e pelo cara que não tem nada a ver com você. Deus é mais moderno que todos nós.
O gosto da pêra entre o dente e o céu da boca é Deus, porque ele é o que as pessoas precisam experimentar pra saber. Por mais que você fale, por mais que você descreva, tem coisas que só você vai sentir, porque não tem jeito, tem que experimentar.
E Deus também é a outra idéia que você tinha sobre um filme, porque Deus não é religioso. Ele entende que talvez você possa ter se enganado sobre uma pessoa, uma situação, sobre a vida, e porque não!?

Está na hora de ver Deus com os seus próprios olhos, ouvi-lo com seus próprios ouvidos e encontrar nisso uma intimidade exclusiva e indispensável, reservada só para você. Para que você produza coisas novas e o experimente dentro de você, isso é essencial. Não é poesia, é verdade.

Está na hora de ver Deus com os seus olhos.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

OK



Ok, você dormiu com ela(e).
Ok, você anda desprendido e a sorte é de quem te achar.
Ok, você é o irmão mais diferente da família.
Ok, você poderia seguir em frente mas é mais gostoso ficar na situação que vc sabe que não vai dar em nada.
Ok, esse tempo não volta e você ainda é novo.
Ok, vamos experimentar.
Ok, última vez.
Ok, isso tudo aconteceu a 2009 anos atrás.
Ok, você não gosta de ler.
Ok, você teve mais oportunidades na vida do que o cara que tá na sua frente falando de Deus
Ok, Deus ama a todos.
Ok, todo mundo faz.
Ok, você já é “salvo”.
Ok, fases passam e aquele carnaval você sabia tudo sobre o céu e nada sobre o resto do planeta que chamamos mundo.
Ok, ninguém é perfeito
Ok, a nova chance se renova amanhã cedo.
Ok, afinal você não quer ser tão imbecil quanto esses pastores sacanas
Ok, Deus não se agrada de votos de tolos.
Ok, você não precisa de cura, dinheiro, milagre, solução.
Ok, sua história é diferente
Ok, seus pais erraram
Ok, daqui uns anos você pensa.
Ok, não precisamos ser tão literais assim
Ok, escandalizar nos faz sentir mais vivos.
Ok, fé que ferve parece loucura
Ok, isso é pros seus amigos e não pra você.
Ok, o tempo vai curar.

Mas a questão não é essa. A questão é: a quem você pertence?

sábado, 11 de setembro de 2010

11de Setembro

11 diretores foram convidados para fazer um filme sobre a queda das torres gêmeas em 11 de setembro.
Essa é a brilhante contribuição de Ken Loach que traça um paralelo com um outro 11 de setembro, aquele de 1973 no Chile.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Pai Nosso no Inferno - Igreja dos Loucos

A criança no canto da sala

Em tempos como estes, nos quais o que mais importa na maioria das vezes é o que eu tenho nos bolsos para oferecer, ou o quão alto eu consigo gritar durante o culto, encontrar pessoas que se disponibilizem a dedicar suas vidas ao serviço cristão e amor ao próximo sem reservas, sem apetrechos e maluquices que criamos (e chamamos de teologia, às vezes) é um verdadeiro alívio. Uma luz no fim do túnel.

No entanto, estamos tão acostumados a aplaudir os que possuem mais fama e que adquiriram alguma notoriedade, que acabamos nos esquecendo daquele velhinho que sentou-se ao nosso lado no último culto. Isso, aquele mesmo. O senhor de cabelos brancos que, muito provavelmente, tem muitos testemunhos de vitórias, derrotas, penúrias e glórias para ensinar uma multidão de jovens bobos de ambições patéticas. Estamos tão calejados de aplaudir o óbvio, que não notamos o humilde irmão que nos recebe na porta do templo, com um sorriso enorme no rosto, e com uma alegria incomensurável e belíssima!

Somos meninos mimados fingindo maturidade o tempo todo. Este texto não é nada mais que um grande rabisco, feito pelas mãos de uma criança teimosa que insiste em querer ser grande. Os olhos que percorrem estas linhas são olhos pueris disfarlados de "leitura séria".

A questão é: pra que esta fantasia de "gente grande", quando o Caminho a ser percorrido é estreito exatamente ao ponto de caber nossa inocência? Se um certo poeta cantou que preferia "a pureza das respostas das crianças", e se o Maior-de-Todos-os-Poetas, diz que é delas o Reino dos Céus, por que insistimos em vestir a fantasia de adultos, santos, imaculados, perfeitos? Por que teimamos em mascarar nossas incertezas e encobrir nossas neuras?

É exatamente como já afirmei, e aqui repito: somos crianças mimadas, encolhidas e chorando baixinho atrás do muro de falsidade que nós mesmos edificamos. Fizemos o mundo inteiro olhar para este muro e tratamos de esconder nossas dúvidas, medos e questionamentos mais obscuros.

O que acabamos sempre nos esquecendo, no entanto, é que Deus nunca olhou para outro lugar, senão para a nossa criança acuada no canto da sala escura dos nossos corações maquiados.